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VILA NORMANDA

(Rua interna da vila, vista na direção da avenida São Luís.Texto e Fotos : Jorge Rubies Preserva SP )

A pitoresca Vila parece ter sido particularmente querida e admirada pelos paulistanos e pelos turistas que visitavam a cidade. Prova disso é que aparecia com freqüência em livros de fotografias dos anos 50 sobre a cidade, direcionados principalmente ao mercado estrangeiro, como "Eis São Paulo" de Georg Paulus Waschinski e "São Paulo", de Peter Scheer. Numa das casas da Vila funcionava também um famoso restaurante francês da época, o "La Popotte", que tinha em sua entrada uma tabuleta de identificação de madeira em estilo medieval. Era porém detestada pelos modernistas, sendo que um dos mais radicais deles, Luís Saia, assim definiu a Vila Normanda em seu livro "Morada Paulista": "desesperada tentativa para trazer para São Paulo o pitoresco dos recantos franceses visitados anualmente pelos mais aquinhoados representantes do fastígio financeiro regional". Luís Saia aliás era na época o manda-chuva do Iphan em São Paulo, o único órgão de preservação então existente na cidade, logicamente não havendo dessa entidade nenhum interesse na preservação da Vila, pelo contrário. Some-se a isso o fato de que nos anos 50 e 60 a área em que se localizava a Vila Normanda se tornou talvez a mais valorizada da cidade, com cada centímetro de terreno sendo disputado ferozmente pelas construtoras, preocupadas somente em construir prédios nas Avenidas Ipiranga e São Luís com máximo aproveitamento do terreno. Assim, já no início dos anos 50, as duas casas da Vila junto à Avenida São Luís foram demolidas para a construção do prédio de apartamentos que leva o nome de Conde Sílvio Penteado. Porém, a maior parte do conjunto resistiu até 1960 ou 1961, quando foi demolida para a construção dos edifícios Vila Normanda e Investimento. Esses prédios até que são de boa qualidade em termos arquitetônicos, notando-se que houve uma preocupação em torná-los mais bonitos e interessantes, pois são dotados, por exemplo, de murais do artista plástico Antonio Maluf. O grande problema desses prédios é o preço que a cidade teve que pagar para a sua construção, com o sacrifício de um de seus mais belos e pitorescos conjuntos arquitetônicos.

15/07/2008 Publicada por Sra. Eli M. de Moraes


Eli, não dá para para acreditar que existia um lugar assim no meio do centro de São Paulo, é realmente uma pena que foi demolido

16/07/2008 13:14 Ricardo ricardotadeu@terra.com.br
Resposta:
É, Ricardo. E não haveria nenhum empecilho para que continuasse em pé nos dias de hoje, a exemplo da Vila Economizadora que, não obstante a turbulência da avenida do Estado e da rua de São Caetano, que a circundam, continua resistindo graças às iniciativas de preservação.

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