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HOTÉIS CENTRAL E BRITÂNIA - 1953

(Fachada dos hotéis Central e Britânia e das lojas Casa Porcelana e Casa Saraiva, na avenida São João)

Os hotéis Central e Britânia dividem um mesmo prédio construído pelo escritório Ramos de Azevedo quando do alargamento da avenida São João. Este edifício, juntamente com o prédio dos Correios e Telégrafos, o prédio Oscar Rodrigues e o Hotel Municipal, compõem um dos mais belos conjuntos arquitetônicos da cidade, no lado par da avenida São João, entre o Anhangabaú e o Largo do Paiçandu, notável por sua unidade estilística e volumétrica.
O edifício dos hotéis Britânia e Central possui coroamento com mansarda, tal como o Oscar Rodrigues e o Municipal, e em sua fachada foi adotado o estilo Napoleão III. Seu exterior, apesar de preservar as características originais, se encontra em precário estado de conservação. Nada resta do primitivo revestimento em massa raspada, característico da época e conferia à fachada uma bela textura granulada. Refazer esse revestimento é um processo caro e difícil, uma vez que a areia utilizada na mistura da massa provinha do rio Tamanduateí, algo praticamente impossível de se obter hoje em dia.
Desde sua inauguração o prédio é utilizado para a função hoteleira, sendo que as vicissitudes do tempo fizeram com que o nível dos estabelecimentos fosse arrastado pelo processo de degradação da área. Nem a transformação desse setor da av. São João em calçadão e a reforma do Anhangabaú, durante a gestão de Luíza Erundina, foram capazes de deter esse processo. Tive a oportunidade de tirar umas fotos do interior do Britânia, cuja entrada me foi gentilmente franqueada pela gerência, e pude constatar que o mobiliário dos quartos é muito provavelmente original da época da inauguração.
Há um projeto de reforma tanto do Hotel Central como do Britânia, e conversão do último em habitações de baixa renda financiadas pela Caixa Econômica Federal. Dois escritórios de restauro diferentes foram contratados para recuperar a fachada, sendo que o Hotel Britânia está a cargo do Escritório Maria Luíza Dutra, um dos mais importantes do Brasil e o mesmo que foi responsável pelo projeto de restauração do Mercado Municipal.
É uma pena que toda essa área e a região central como um todo permaneçam tão decadentes e abandonadas, já que seu potencial urbanístico, paisagístico e turístico é enorme, e a revitalização da área também teria um papel importante na recuperação da abalada auto-estima do cidadão paulistano.

TEXTO : Jorge Eduardo Rubies Piratininga.org

22/07/2008 Publicada por Sra. Eli M. de Moraes


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